O dilema do contato visual

Treinar executivos para falar em público é uma atividade que sempre resvala em temas ou assuntos muito vagos, tais como o famoso “contato visual”. Qualquer livro sobre falar em público trará a recomendação para você manter o contato visual com sua plateia. Entretanto, transpor este conselho das páginas de um livro para a prática nem sempre é tão simples.

Há especialistas que, na tentativa de tornar menos vago o conceito, falam em “conexão visual” e não “contato visual”. A diferença seria algo como “ver” e “enxergar”. Na minha opinião, continuamos no terreno do subjetivo, mas vou te explicar o que se fala a respeito e talvez isso seja útil para você.

Você provavelmente já ouviu falar de alguém que estava olhando na direção de um objeto, e quando perguntado sobre os detalhes do objeto, simplesmente não sabia responder. Isto porque ele estava “vendo”, mas não estava “enxergando”. A Neurociência explica, mas não vamos entrar em detalhes hoje.

No caso das apresentações em público, isto pode ser traduzido por expressões como “passar os olhos”, “escanear a plateia”, “olhar em direção a um ponto no fundo da sala” ou coisa que o valha. Ao fazer isso, você olhou em direção ao seu público. Você o viu, mas não consegue dar detalhes do que viu porque simplesmente não o “enxergou”.

É um truque batido e pode funcionar para determinadas pessoas, mas não configura o “contato visual”. Por uma razão simples: a melhor parte do contato visual, ou da conexão visual, não foi aproveitada – o feedback. E aqui avançamos em um campo menos vago da comunicação: a capacidade de perceber as reações da plateia.

Ao treinar um executivo para realizar uma apresentação em público, mais do que orientá-lo a manter o contato visual com o público (como se fosse um robô), devemos ajudá-lo a perceber as reações da plateia. Como consequência, teremos uma experiência mais rica e mais complexa. Então, na sua próxima apresentação, não tente simplesmente olhar para a direção do público. Tente enxergar cada indivíduo e identificar suas reações. Se não conseguir, procure ajuda profissional. Mas nunca abra mão do feedback da plateia.

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